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  • Patrícia Oliveira

A Flor de Diana (Artemisia sp.) uma planta maravilhosa!


Biology, Genome Evolution, Biotechnological Issues and Research Including Applied Perspectives in Artemisia (Asteraceae) - Scientific Figure on ResearchGate. Available from: https://www.researchgate.net/figure/Leaves-and-synflorescences-of-four-Artemisia-species-A-Artemisia-absinthium-B_fig1_251449006 [accessed 18 Jun, 2019]

Artemisia

O gênero botânico Artemisia possui esse nome em homenagem a Ártemis, a deusa grega da castidade,do parto e dos animais, que os romanos chamavam de Diana; por isso algumas de suas espécies são chamadas de "flor de Diana".

Esse gênero é de grande importância no cuidado da saúde, pois várias espécies desse gênero possuem qualidades terapêuticas, sendo úteis desde ao controle de cólicas menstruais quanto às doenças infecciosas, como a malária e leishmaniose.

Na Homeopatia há três medicações: Artemisia vulgaris; Artemisia absinthium e Artemisia abrotanum, sendo todas usadas em diversos estados convulsivos e delírios.

Comparação de alguns sintomas das Matérias Médicas:

Artemisia vulgaris Artemisia absinthium Artemisia abrotanum

Agrava manhã e noite Agrava a noite Agrava a noite

Manifestação de medo e horror Tremores e alucinações Assuste-se facilmente, principalmente ao acordar


Punitivos, agressivos Irritado diante de adversidade Irritação extrema

Epilepsia (principalmente em Epilepsia por Álcool Epilepsia

bebês e crianças) Ataques curtos e numerosos


Sensação de ser escaldado Sensação de flutuar em água


Paralisia muscular e facial Paralisia nos membros

Náuseas Sensação de frio e Sensação de ter o estô- compressão no Estômago mago pendurado n’água


Diarreia verde Diarreia alternando com constipação

Vômitos frequentes Indigestão com vômitos Vômito com fluído ofensivo


Convulsão sem causa Convulsões Tônicas com Contração dolorosa dos

aparente rigidez tetânica membros, câimbras


Na Fitoterapia ocidental as principais espécies são:

Artemisia vulgaris (artemísia)

Artemisia abrotanum (abrotano)

Artemisia dracunculus (estragão)

Artemisia absinthium (absinto ou losna)

Artemisia pontica (absinto ou losna)

Artemisia marítima (absinto ou losna)


Na fitoterapia chinesa as principais espécies são:

Artemísia annua (qīnghāo青蒿 ou huánghuāhāo黄花蒿) – Amarga, pouco picante, fria

Artemisia anomala (Lií jì nú劉寄奴)- Amarga e quente

Artemisia argyi (àiyè艾葉) – Amarga, picante e quente

Artemisia scoparia (yīn chén hāo茵陳蒿) – amarga, levemente picante, neutra


De uso milenar no ocidente, a Matéria Médica de Dioscórides já fazia indicações que até hoje são atuais:


Matéria Médica de Dioscórides

Capítulo XXIV

Do Absinto

O absinto, chamado por alguns Bathypicron, é uma planta conhecida e comum. Cresce melhor no Ponto[i] e na Capadócia[ii], no monte Tauro. Sua função é quente e adstringente. Serve a digestão, purga os humores coléricos estagnados no estômago e ventre, diurético e, tomado antes do pasto, impede a embriaguez. Bebido com seseli[iii] e espica céltica[iv], serve as ventosidades e as dores abdominais e de estômago. Servido três cálice de sua infusão, ou de seu cozimento, restitui o apetite perdido e sana a icterícia. Provoca a menstruação tanto bebido como aplicado com mel. Dá-se de beber com vinagre àqueles que por comer cogumelos se enfastiam; e com vinha àqueles que beberam cicuta[v] ou Ixia; e aqueles mordidos de musaranho e dragão do mar. Misturado com mel e nitro é útil na angina se untam com ele. E as epinictidas[vi] misturado com água se untam com ele. Aplica-se com mel nos olhos lívidos e fracos de vista e também aos ouvidos que amanhecem com secreção. Recebido o vapor de seu cozimento mitiga a dor de dente e dos ouvidos. Cozido com vinho passo se aplica na forma de mui conveniente emplasto contra a dor nos olhos. Aplica-se também misturado com ceroto ciprino contra dores antigas do fígado e do hipocôndrio e com ceroto rosado contra dores do estômago. É um remédio saudável contra hidropisias e contra inchações do baço se a mistura com figos, vinho, vinagre e farinha de azevém. Prepara-se com asênsio[vii] um vinho chamado Ansinthetes, principalmente em Propótides e Trácia, da qual usam principalmente para as sobreditas coisas, faltando febre e dá-se a beber no verão como coisa muito saudável. Crê-se que se deixam nas caixas e cofres o asênsio, preserva-se as roupas da traças. Não se aproximam os mosquitos do corpo humano que foi untado com azeite e asênsios. A tinta com que escrevemos se a mistura com infusão de absinto os ratos nunca roerão os livros. Tem-se por certo que faz a mesma coisa seu sumo, embora que não ousamos dar de beber, porque ofende ao estômago e provoca dor de cabeça. Alguns podem adulteram-lhes adicionando amurca[viii] cozida.

- Capítulo XXV

Absinto marinho chamado de Serifio

O absinto marinho, por alguns chamado de serífio, nasce em abundância no monte Tauros, próximo da Capadócia e em Taphosiri, no Egito, do qual usam os sacerdotes de Isis no lugar do ramo de oliva, É uma erva de ramos delicados, semelhante ao abrótano pequeno e premiada com uma grande similaridade. Mostra-se um tanto amarga e é inimiga do estômago; dá de si um grande olor e, com um pouco de calor, é adstringente. Cozida só ou com um pouco de arroz e comida com mel, mata as lombrigas largas e redondas do ventre, o qual relaxa ligeiramente. Tem a mesma força se cozida com lentilha ou outras coisas. Engordam muito as bestas.

Capítulo XXVI

Do absinto Santonico[ix]

Encontramos outra espécie de absinto, a qual nasce copiosamente na França, vizinha aos Alpes, e que chamam naquelas partes santonico, tomando o nome daquela terra que o produz, chamada Santônia. Parece aquela planta ao absinto, embora que não seja tão semelhante. É um tanto amarga e tem a mesma faculdade do sérifio



Capítulo XXVII


Matéria Médica de Dioscórides

O abrotano[x}

Encontram-se, do Abrótano, duas espécies: primeiramente a fêmea, que cresce em forma de árvore; tem a cor esbranquiçada, folhas ao redor dos ramos e pequeninamente cortadas, como as do serifio. Podem estar carregadas de flores em inflorescência racemosa e da cor do ouro, as quais saem no estio. É uma planta odorífica, ainda que o odor seja um pouco forte, e amarga ao gosto, esta espécie nasce na Sicília. A outra, chamada de macho, a qual é muito cheio de ramos finos como os do absinto, cresce em abundância na Capadócia, Na Galácia Asiática e em Hierópoles, na Síria. A semente de ambas, cozida ou misturada crua e bebida com água é muito útil para ortopnéia, serva para as rupturas e espasmos dos nervos, para dor ciática, retenção de urina e menstruação e, bebida com vinho, resiste a qualquer espécie de veneno mortífero. Misturada com azeite e aplicada por fora modera os tremores paroxísticos. Extermina as serpentes derramada pela casa e, administrada em perfume, e bebida com vinho socorre aos picados por elas. Porém se aproveita muito mais nas picadas do Phalangium (aranha)e escorpiões. Aplicada com marmelo cozido ou farinha de pão mitiga a inflamação dos olhos. Incorporada com farinha de cevada, resolve os caroços. Mescla-se na composição do azeite irino.


Capítulo CXXI


Matéria Médica de Dioscórides

Da Artemísia

“A Artemisia normalmente nasce em terrenos costeiros, a qual é formada de ramos e folhas semelhantes ao Absinto, porém são maiores e mais grossas as folhas. Acham-se duas espécies delas: porque uma é mais defeituosa e com folhas maiores e caules mais grossos; a outra é mais cheia, delicada e menor, a qual produz uma flor pequena, branca, fina e de grande aroma. A Artemísia floresce no estio. Alguns chamam Artemísia unicaule (que quer dizer um só talo), àquela planta pequena, que nasce nas regiões mediterrâneas e que produz um caule delicado, muito cheio de flores pequenas e amarelas[xi]; a qual é mais cheirosa que aquela. Uma ou outra Artemísia tem a força de aquecer e emagrecer. Seu cozimento é útil as mulheres para trazer a menstruação, o parto e a gravidez, se se sentam sobre ele[xii]. Serve também para desopilar a mãe e reduzir suas inflamações, a demais disso desfaz as pedras e libera a urina retida. Aplicada sobre a virilha a mesma erva provoca a menstruação. Seu sumo acrescido de mirra e posto dentro na natura[xiii], trás a mãe as mesmas coisa que o cozimento já dito. Bebe-se também três dracmas[xiv] de seu sumo para os mesmos efeitos.

Capítulo CXXII

Da Artemísia de folhas finas

Encontra-se outra Artemísia de folhas muito pequeninas pelas margens dos arroios e cercas e terrenos, cuja folhas e flores, esfregadas entre os dedos, secretam de si um olor como aquele da Manjerona. Esta erva marinada cuidadosamente com óleo de amêndoas e aplicada em forma de emplasto sana dores de estômago. Seu sumo mesclado com azeite rosado é um remédio saudável contra paixões de nervos se se untarem com ele.”

[i] Região da atual Turquia nas margens do Mar Negro.


[ii] Região da Anatólia, na atual Turquia.


[iii] Seseli sp.


[iv] Valeriana céltica.


[v] Conium maculatum


[vi] ” As epinyctidas são, segundo Celso, pustulas inflammatorias, lividas, denegridas, vermelhas ou esbranquiçadas, dolorosas, ordinariamente do tamanho de uma fava, que se levantam de noite sobre a pele, e que, segundo diz Paulo Egino, causam então mais dor que durante o dia”. In: Vieira, Domingos. Grande Dicionário Português. Porto, 1873.


[vii] Sinônimo de absinto.


[viii] Amurca é o sedimento aquoso de sabor amargo, de cor escura, que se instala no azeite não filtrado com o passar do tempo


[ix] Artemisia santinica


[x] Artemisia abrotanum


[xi] Tanacetum vulgare planta da mesma família e com propriedades medicinais.


[xii] Uso em banho de assento.


[xiii] Uso intravaginal


[xiv] Um dracma de volume equivale a aproximadamente 3,55ml

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